23 novembro 2009

Fogueira no gelo

A fogueira do amor não acende nesta alma de gelo que já não sente,

Algo impossível de concretizar inunda os meus olhos de incertezas,

Fazendo-me evitar os sentimentos que já não sei reconhecer...

A raiva consome-me neste espaço vazio dentro de mim...

Luto contra o sufoco que me asfixia em mim mesma...

Mas tudo é devolvido pelo eco do vazio...

14 agosto 2009

Fantasia de Perfeição

Foi nesta cama inocente e muda que tudo aconteceu...

Ambos sentados com ar comprometido...

Eu inocente de tudo, alheada do mundo acreditei que era um momento feliz...

Que te importavas com o meu sorrir...

Roubaste o meu primeiro beijo e eu continuava alheada na minha fantasia de perfeição...

A perfeição de dois num mundo inantingível...

Atingiste-me com a seta da sedução e eu segui esse olhar brilhante,

Que me conduziu para as brumas camufladas daquilo que viria a ser o meu tormento...

Ainda não te perdoei...Ainda não esqueci...Não vou perdoar...Nem vou esquecer,

Porque quando o fizer não me magoará mais, nem sentirei mais esse sentimento que me perfura e me mantém acordada...

Sei que não voltarei a sentir a faísca inebriante que me dá vida se te esquecer...

E assim te mantenho no sótão da minha mente perversa que me empurra para a tua imagem idealizada por mim...

Fui eu que me enganei a mim mesma, fui eu quem confirmou apenas aquilo que queria ver, sendo mais confortável...

É duro aceitar que foi apenas um jogo de sedução que eu não soube jogar com a mesma astúcia...

Dói a ideia distorcida de tudo o que provocaste.

A rejeição é dolorosa, mas não o suficiente para apagar o amargo silêncio que mantiveste.

Não há feridos nem vencedores,

Agora sei que foi apenas mais uma história na tua vida,

Mas para mim foi a minha história, a mais verdadeira, a mais sincera de todas...

O que mais me magoa é saber que não voltarei a ser assim transparente,

Pois a raiva tomou conta de mim rasgando-me as veias da paixão.

Já não existe nada aqui, apenas um vazio oco que faz eco se alguém chamar por mim...

Não estou para ninguém, nem mesmo para ti nunca mais!

02 agosto 2009

Enlevada no impossível

O sentimento inefável proibido de se pronunciar,

A abstracção total da minha alma conduz-me ao desejo impossível de te ter...

Leio-te em cada olhar, sinto-te em cada toque fantasiado, em cada palavra não pronunciada...

Amar é libertar-te, não me resta outra opção, transcendendo a minha vontade, o meu desejo...

Absorvo a ausência do sentimento não reconhecido...sorrindo.

Sei que existes, fazendo-me sentir o mais imensurável e abstracto amor...

Para mim ainda é suficiente...ainda...

Ainda é suportável ver-te e manter o meu silêncio rebelde dentro de mim, sufocando-me em lume brando...

Inspiro essa tua essência que tanto preenche este silêncio vazio de ti.

Como se explica tamanha consciência deste sentimento que me aflora e não lutar?

O desgaste que me rasga por dentro deveria ser suficiente para correr noutra direcção,

Mas o romantismo secular aperta o meu coração num céu aberto sangrento, como espinhos que me atraiçoam dia após dia...

Um dia espero que o meu silêncio se esbata neste mar de revolta...

02 julho 2009

Sentimentos empedrados

Sentimentos empedrados

Refúgios falhados nos escombros deste interior estilhaçado...

Cada poeira, cada pedaço de mim escondido...perdido..

Pensamentos errantes, difusos...confusos...

A distância entre mim e o mundo gelou-me o sangue,

E a muralha do descrédito edificou à minha volta sem me dar explicações...

Deixando de sentir a areia a queimar-me os pés,

Sentindo apenas a aragem seca que roça estes sentimentos empedrados intocáveis.

18 maio 2009

Liberta-te de ti

Como veneno que escorre entre as brumas do pensamento,

Vislumbro aquela imagem fria que me corta a razão,

Atordoada por uma passado demoníaco que me roubou de mim mesma,

Escrevo para me libertar...

Grito mentalmente para não incomodar...

Tormento sufocante desgasta este interior cansado de mim.

Noites multiplicadas que roçam os anos intermináveis deste estado transparente,

Sensações puras...raiva...fúria...

Grito mentalmente no sufoco desta prisão invisível

Onde estás oh alma perdida de ti? Onde estás pessoa escondida? Refugiada nos teus medos talvez...

Não tenhas medo de gritar!

Liberta-te dos medos inúteis,

Aparece no presente, nesses dias que apenas deixas passar consumida de ti...

Não te deixes perder pelo que passou,

Concretiza-te em ti mesma,

Agarra-te nesta jornada com a força de um animal selvagem,

Não permitas que as rédeas do teu pensamento tumultuoso tomem conta de ti...

Afasta-te do teu eu negro entranhado que em ti navega e te possui,

Liberta-te das amarras enegrecidas pelo tempo que te mantêm no silêncio vazio,

Entregue ao vazio aterrador que tu própria constróis à tua volta.

Destrói a muralha que te esmaga e protege-te com o calor da voz humana que não desiste de ti...

Liberta-te da negação dos sentimentos e deixa entrar em ti a brisa morna que te faz sorrir.

AINDA EXISTES!!!!

30 abril 2009

Condição humana

Esse sangue que percorre as tuas veias...

Alma crua inebriante, ilusão mortífera que me algema à tua essência...

Ultrapassa-me a razão num ímpeto voraz de maldição humana...

O descontrolo grotesco avança por entre o oxigénio que consomes,

Enlevado pelo capricho instintivo dessa condição humana que te aprisiona.

Liberta-te da luta interior que travas com o vazio de ti que confundes como sendo o vazio do mundo,

Cessa essa tua procura infrutífera da desculpa do inconsciente...

És um humano que cai nas armadilhas do inconsciente...fraqueza talvez...

Prazerosos caminhos conduzem-nos a tortuosos julgamentos auto-infligidos.

A liberdade transcendente que tanto proclamas nunca será verdadeiramente de ninguém,

Só o inatingível nos impele para o pensamento impulsivo...

Mas a indiferença cresce em nós de dia para dia,

Na desvalorização permanente do significado que tem a condição humana.

28 abril 2009

Lua

Noite escura tranquila...

Deslizando no horizonte...

Lua branca luminosa...

Aroma tranquilo emanando força, paz e serenidade...

Quantos segredos escondes oh Lua Branca?!

Quanto de ti é verdade?

Deixa-me descobrir-te...

Deixa-me sentir-te...

Essa força que me conforta,

Essa luz que me acalma...

Basta essa presença imponente,

O vazio toma o seu rumo e essa força preenche-me...

02 março 2009

Prisioneiros do pensamento

Somos...não somos...o que somos?Será que somos?

Sentimos...Será que sentimos? O que sentimos?

Voltados para nós mesmos, incertos de tudo e de nada...

Vaga a solidão que nos esvazia

Breve o sentimento de plenitude...

Prisioneiros do pensamento

Só a ele recorremos ansiando a libertação

Só a ele nos confessamos, com receio da exposição...

Sentimento esse de nudez que nos aflora...

Raiva e constrangimento de nós mesmos...

Acompanhados de sombras, pressentimentos e medos inúteis...

Que nos prendem nas amarras do pensamento.

Poeira sentida

Não consigo suportar tanta poeira sentida dentro deste relógio de areia

Que grava e sente tudo em cada grão de uma forma tão única

De uma forma que nem eu mesma aguento suportar

É forte, nada é fingido…sinto-me invisível e a sufocar

Corroída…gasta…comprometida com o que não consigo explicar, apenas sinto no olhar

Sinto a distância fria que me faz recuar,

A pétala negra do abismo seduz-me para a fantasia…

Quero perder-me da realidade…

Alhear-me dos espinhos que me têm em carne viva …

Prisioneira em mim…quero GRITAR!!!!

Loucos

Os loucos não se assumem, vivem na sua própria sombra...

Assumir-se louco é ter consciência das suas limitações no mundo real...

Achar-se diferente e assumir-se assim perante a minoria, mas iguais a tantos outros humanos pensantes que se querem transcender a si mesmos,

Superar a condição humana, atingir a transcendência

Sair de si para conhecer a subjectividade que os atormenta...

E voltar com outra perspectiva...

Os que se assumem como loucos afastam-se conscientemente...

No regresso correm o risco de encontrar um mundo diferente ao que estavam habituados...

Talvez aí percebam que deveriam ter deixado um pensamento no mundo real,

Algo que os pudesse integrar novamente.

Se os loucos são felizes assim, que desliguem para sempre,

Talvez ainda ssim esse egoísmo provoque saudades a alguém.

Alma a céu aberto

Sentir a tua alma a céu aberto

Desnuda, fresca, sem medos

Liberdade transcendente

Barreira indestrutível que me mantém na escalada

Subtilmente...triste... calada


A entrega impossível desse lado

A luta interior...

Um toque suave...

Uma tecla fria de piano em tom monocórdico que alimenta a barreira de titânio


O toque é suave, mas persistente

O acesso é negado, mas tão desejado

Quero chegar até ti, aceder a esse ficheiro mutante que me enlouquece,

Beber cada gota do teu sangue

Interiorizar-te...absorver-te...saborear tudo quanto és

Respeitar essa fuga de ti mesmo e dos outros

Acompanhar-te na jornada evolutiva que ambos perseguimos...

Somos nós mesmos em mundos separados.

Fantasia

Fantasia que me acompanha

Alimentada de ti, de todo o teu ser

Do teu pormenor mais recôndito

O teu hálito morno permanece em mim

Sinto-te em todo o lado


Desejo...ilusão...desilusão...

Desespero...vazio...desejo...

Desejo...paixão...doença....

Fogo posto nesta alma desprotegida

Cresce um não sei quê de sentimento abrupto

Cresce uma inquietude permanente

que me acompanha por te querer tanto...tanto...

Solidão que consome este pedaço de alma adormecido

Perco-me no silêncio do meu pensamento

Desejo...vontade...raiva...

Loucura...amor no seu todo...em toda a sua essência...

Sentir...apenas sentir...sentir de todas as formas.

Quero respirar-te e sorrir.



(Com)passo diário

Acordo...as pálpebras abrem na penosa lentidão matinal

Um dia que começa a crescer...

Levanto-me e abraço o banho ainda adormecida

funciono roboticamente tentando combater o pessimismo que me abate no 1º pensamento

Saio de casa...

Enfrento o dia e respiro o ar fresco

O vazio soma-se mais um dia

Volto para casa ao anoitecer

Mais um dia...banal...vazio...oco...escuro...triste...áspero...

Alimento o físico e tento alimentar a alma com os recursos possíveis...

Suspiro profundamente...

O vazio cansa...

vejo mais um filme

Tento apaziguar esta inquietude interior

Penso no amanhã distante mais confortável

Adormeço com o desejo de saborear o prazer do sono dias a fio...

Em carne viva

Em carne viva

Tormento diário

Sentimento solitário

Vazio, vago

Interior escuro que sangra

Sangra a dor interior

Dias e dias a fio

Ferida aberta que não cura

Madrugadas de loucura

A sós com o meu pensamento que me tortura

Fecho os olhos e respiro

Olho para dentro de mim

Vejo um escuro muito denso

Que me corta o ar

Asfixiada em mim, tento acordar

Mudar, sorrir, ser capaz de me encontrar

Esta luta interior deixa-me exausta e volto para o refúgio do meu pensamento

E tudo recomeça outra vez...

Tentação

Caio na tentação, quero sentir toda aquela excitação que me corre nas veias quando olho para ti

Essa imagem que move e acorda os meus sentidos

Esse corpo que me faz trincar os lábios e respirar com mais intensidade...

Essa provocação constante que me põe à prova

Intensa a sensação dessa presença em mim que me arrepia...

Percorro-te com o meu olhar atrevido...

A adrenalina aumenta e a razão resume-se a um silêncio delicioso

E o prazer dos sentidos aclama bem alto a libertação da mente.

Sentir-te em mim

Quero saborear-te, afundar-me em ti

Afundar-me nos sentidos do prazer e esquecer-me de mim

Momentos quentes, desejados, ansiados...

Um beijo, um toque, um instante...Aqueces-me a alma

Quero mais...mais de ti em mim

O desejo insaciável impele-me para ti

Vem comigo, faz parte de mim por momentos

Quero alimentar-me de ti...

Vislumbro-te na minha mente perversa e sequiosa

Imóvel com aquele olhar a brilhar de desejo....E prolongo a sensação por breves instantes

Fecho os olhos e consigo sentir as tuas mãos

A tua boca... Roçando em mim...

Sensação que me desperta os sentidos

Estimulas-me a mente, o corpo, tudo em mim

Agarra-me bem, aperta-me contra ti, quero sentir-te em mim...

Invade o meu corpo, possui-me neste momento em que a tensão ferve em nós

Sinto-me a palpitar de tesão, quero ter-te bem dentro de mim...

Espera um pouco...Ainda não é o momento...

Saboreio apenas o anunciar da tua carne em mim, salivando de desejo...suspiro ao teu ouvido...

Envolve-nos um frenezim sedento de prazer

O respirar ofegante de dois no mundo carnal

O acariciar dos corpos incandescente,


Sinto o teu corpo fundir-se no meu...(um gemido rouco)...
Roçando num vaivém prazeroso, mil sensações em cada poro da minha pele molhada de ti

Somos dois corpos enlevados no capricho do desejo....

Sentir

Sinto as gotas de chuva a molharem-me as ideias...

Ajudam-me a sentir...

Abraçam as lágrimas que deslizam no meu rosto triste, cansado de suspirar...

Uma inspiração profunda...

Que acompanha um olhar vazio, baço e distante.

Recaída

Um segredo... Uma cumplicidade...

Um desejo prolongado....sentido...proibido

O sentimento roçado, gasto, mas que não se extingue

Deixa-se cair na tentação

Atraiçoada pela mente, perco-me completamente

A carne sobrevive, mas o coração despedaçado não.

Fragmentos de um sentimento de outrora que se transformou numa neblina fria.

Solidão

O frio do silêncio abraça-me todas as noites

Noites essas traduzidas em inquietação...pura solidão

Procuro um sentido...um ritmo...um amor...

o tic tac das horas lembram-me os olhares que cruzamos...

As horas que voavam conduzidas pelo frenezim da paixão,

O sentir aveludado...

E sorrio...abraçando-me na nuvem da recordação...

Sentindo o vazio da solidão.

Procuro-me

Procuro-me entre a multidão, vejo-me do outro lado do passeio e atravesso...

Continuo a não me encontrar e a fugir de mim mesma...

Faço uma pausa para descansar e retomo a busca...

Encontro-me por fim na luz lunar que me acalma e me segreda quem realmente sou.

Noctívaga de mim...

Vagueio em cada ponto negro do céu anoitecido,

Respiro a brisa com o aroma da noite

E ouço a voz interior, o meu eu...

Aquele que se esconde por detrás do meu olhar e finge não existir.

Doce obsessão

Matam-me os dias vazios de ti...

Doce obsessão que me destrói lentamente em lume brando...

Bate levemente a saudade do sentimento vivo que me abrigava da tempestade lá fora.

E tudo era inebriante, fantástico, fascinante...

O conhecimento de mim que me permitiste...

E tudo foi um instante levado pelo tempo, transformado em pó...

Gravado a ferros quentes nesta alma gélida e vazia.

Desejo

O cruzar de dois olhares em que os corpos se desejam

Uma vontade ilícita de ser cumprida

O sabor do leve sussurrar...

O desejo proibido num momento comprometedor...

Entro nesse teu mundo virtual

Onde me deixo levar neste jogo de sedução perigoso

Onde a culpa do desejo é menos julgada...

A culpa é da vontade...

Imagino a tua boca...esses lábios suaves...

Saciando-se nos meus...saciando-se em mim...

Um gesto meigo...um olhar penetrante...um desejo ardente

Uma vontade louca de te sentir em mim, de te tocar...

De ser tocada e em cada toque sentires-me vibrar...

O desejo intenso de ser possuída e estremecer de prazer...

Nesta nuvem de pensamentos sinto o teu olhar a despir-me suavemente...hum...que arrepio delicioso.

Acaricio-me para que vejas o quão bom é sentir-te desejar-me...

Saboreio a breve mas intensa sensação...

E prolongo-a no meu imaginário onde tudo é possível...

Palavras em mim

Preciso de sentir as palavras em mim...

O momento...o silêncio...a pauta do meu pensamento

Quero afogar-me nelas, divagar, perder-me em mim...

Pensamentos difusos, confusos, atropelam-me a mente,

Bloqueiam-me a razão que teima em não lutar...

As ideias como ondas morrem na areia seca dentro de mim.

Quero gritar a razão para mim mesma para não enlouquecer...

Quero não sentir a dor de sentir!

O calor da paz, o afago vagueiam na corrente das marés distantes, enevoados frios e molhados no sal da vida.

Pensamentos

Transbordam em mim os pensamentos claros e distantes...

Vislumbro-os para além da realidade...

Sonho-os todas as noites,

Espero-os todos os dias...

Um vazio em mim que não parte...

Uma chama de alento que não chega...

É tão fria e triste esta brisa, esta dança solitária...

O horizonte....a realidade...

O impossível navega em mim.

Sentido

Sinto os dias deslizando como folhas de Outono sopradas pelo vento...

Distantes...sem brilho...baços e vazios, refugiados na neblina que os esconde das manhãs...

A mente divaga em jeito sublime, quase imperceptível...

Na busca de um sentido que teima em não aparecer.

A angústia desgasta este interior como uma lixa num vaivém que consome esta alma inquieta, este corpo que não me pertence...

E bastava um segundo de paz,

Um segundo para me encontrar nas palavras...

Um segundo para me encontrarem na mais pura nudez de espírito...

Bastava um segundo que justificasse o meu nada que é tudo,

Que só a mim pertence.

Paixão na sua forma mais sublime

O sentimento mais puro

Sentido...olhado...hesitante...

A paixão na sua forma mais sublime: os olhares tocam-se mas os corpos não...

Desejo intenso que bóia sobre os corpos indomáveis...

As horas vagueiam sobre o momento, procurando um porto seguro...

E tudo pode ser assim...simples e efémero, esfumando-se no tempo...nas horas...nas breves passagens deste mundo.

Recordações

Pingam vagarosas em mim as recordações

Renovando-se a cada dia que passa

Proibindo-me o esquecimento

Apoderam-se da minha vontade

E dominam este interior adormecido que boceja o passado....

Pingam uma a uma sobre esta pele sequiosa, que as absorve, na ânsia de lhes sorver o sabor intenso daqueles instantes sentidos.

Vício

Vício entranhado em mim de te pensar

No nevoeiro absurdo do meu mundo

Turbulência que em mim habita...

Horas mortas neste vazio, marcadas pelas cicatrizes abertas que marcam este livro secreto

Tudo é solarengo quando acredito,

Contrastando com os dias de tons cinzentos que sussurram baixinho...

O que de mais negro oculto...

Sussurram no meu ouvido...baixinho...baixinho...baixinho...baixinho...

Suspiro

Um suspiro que abre a gaveta da memória

Um leve arrepio, um sonhar...

Verte-se em mim toda a essência daqueles momentos

E sinto a verdade do prazer de sentir tudo

De sentir-te a ti, como areia a escorrer entre os dedos das minhas mãos...

E a fugir para esse mundo que é só teu...

Vejo-te entre as nuvens do outono...

E essa visão vai e vem como que obsessão dolorosa que me entrega ao prazer da mente...